Política
Postura sobre o fim da escala 6x1 tem impacto eleitoral
Cientista político avalia que em ano de eleições, parlamentares que não forem favoráveis à pauta pró-trabalhador perderão voto
Em ano eleitoral, a postura dos parlamentares em relação às pautas a serem votadas fica mais sensível à reação do eleitorado. Com o fim da escala de trabalho 6x1 em evidência a menos de seis meses das eleições, o cientista político Ranulfo Paranhos avalia que qualquer posicionamento nesse momento pode ter impacto direto no desempenho nas urnas.
“Aqueles que já assinaram a PEC do fim da escala 6x1 estão sinalizando nas eleições que são pró direitos trabalhistas. E aí quando a gente diz pró-direito quer dizer que a maioria do eleitorado é formada por trabalhadores. Se você é contrário a uma proposta de trabalhadores que tem viabilidade econômica isso quer dizer que você não está defendendo os interesses daqueles que votaram em você”, afirmou Paranhos, em contato com a reportagem da Tribuna Independente.
Na edição do último final de semana, a Tribuna Independente publicou uma matéria sobre o posicionamento dos deputados federais e senadores alagoanos sobre o fim da jornada de trabalho que hoje vigora em 6 dias de trabalho e um de folga.
São favoráveis ao fim da jornada 6x1 os deputados Paulão (PT), Alfredo Gaspar (PL), Daniel Barbosa (PP), Marx Beltrão (União Brasil), Luciano Amaral (PSD), Fábio Costa (PP) e Rafael Brito (MDB). Não se posicionaram, Isnaldo Bulhões (MDB) e Arthur Lira (PP). No Senado, Renan Calheiros e Renan Filho, ambos do MDB, são a favor. A senadora Eudócia Caldas (PSDB), não se manifestou.
De acordo com o cientista, os únicos que ainda não aderiram à pauta são figuras de peso, e devem estar sendo pressionados pelo setor dominante. “Aqueles que não se posicionaram ainda são Arthur Lira e Isnaldo, um do MDB e outro do PP. Bom esses podem estar arregimentando o argumento, ou ainda estão sob a pressão do empresariado”.
A dimensão política que Lira ganhou como presidente da Câmara pode ser um fator que interfere na sua cautela. “Arthur Lira é um parlamentar que representa o eleitorado alagoano, mas ele é um parlamentar líder de um grande partido, ele é uma expoente nacional de um partido. Isso quer dizer que ele não negocia só com o setor industrial, com o setor de produção sucroalcooleira, com o setor da produção, com o empresariado alagoano. Ele lida com o empresariado nacional. Por conta dessa postura, por conta desse tamanho que ele teve, foi presidente da Câmara dos Deputados, é possível que ele esteja recebendo pressão ou que ele se abstenha dessa votação para não se indispor com o trabalhador e também para não dizer ‘ó vou votar contrário porque eu vou votar pró empregador’. Votar pró empregador é votar pró minoria o empregador tem no máximo um voto. Então, nesse caso, Arthur Lira perderia muito”, pondera Paranhos.
Considerando o risco, e relembrando a grande reação e repercussão negativa da população nas redes sociais e nas ruas após a aprovação da PEC da blindagem, em setembro de 2025, ele fala sobre um parlamentar alagoano que sentiu a pressão do eleitorado à época e tentou se redimir.
“Isso tem efeito negativo. Veja, o próprio Rafael Brito (MDB) se envolveu no ano passado numa votação que era contrária a alguma coisa, mas deu o maior reboliço vários parlamentares de todos os Estados disseram, eu votei contra, votei enganado e teve manifestação, e o Rafael Brito sequer conseguiu ir para a manifestação na praia, porque ele era alvo da manifestação por ter votado. Aquilo pegou muito ruim”, exemplifica. Ranulfo faz um paralelo com o debate atual. “É o mesmo do que se dizer da proposta de emenda parlamentar contrária ao 6x1, para virar 5x2”.
Diante de toda a narrativa que já está construída, tanto pelas centrais sindicais quando por especialistas e o próprio governo federal, tem sido difícil defender o contraponto.
“O argumento contrário a isso daí, por exemplo a ala mais à direita ou uma ala mais bolsonarista tem dito que isso tem impacto, existe um estudo que isso tem impacto econômico ao cabo de um ano, de menos de 5% do orçamento anual. Mas aqueles que são favoráveis dizem que não, que vai circular mais porque você vai empregar mais, então tem maior circulação de receita. Quer queira quer não, ano eleitoral é ano que para maximizar voto eu preciso sinalizar para o eleitor. E sinalizando negativo eu perco o voto”.
Sendo assim, é como se os favoráveis já tenham largado na frente na disputa pelo voto. “Dos nove parlamentares do Estado de Alagoas sete já votaram favorável da escala 6x1.
Isso é um aceno, obviamente, não foi votado ainda, não foi pautado para ir pro plenário, ainda está na CCJ em discussão. E dois parlamentares não assinaram, mas também não se posicionaram contrário nem a favor. Então esses sete já votaram favoráveis, já tem argumento para dizer eu sou favorável ao fim da escala 6x1. Esses que estão em cima do muro possivelmente ou se posicionarão até lá ou evitarão esse debate”.
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